Metade das equipes do Campeonato Sul-Americano são lideradas por brasileiros, reforçando a excelência da modalidade no país e despertando a atenção global.

O Brasil, reconhecido como uma potência no vôlei feminino, vive um cenário peculiar no Campeonato Sul-Americano, que também funciona como Pré-Olímpico: parte de seus talentos mais experientes está do outro lado da quadra. Dos seis times que disputam o torneio, três são comandados por técnicos brasileiros, um fenômeno que reflete a vasta e vitoriosa escola nacional da modalidade.

Além de José Roberto Guimarães à frente da seleção brasileira, compatriotas como Antônio Rizola, técnico do Peru, e Guilherme Schmitz, que lidera a Colômbia, representam essa "exportação" de conhecimento. Essa realidade não só evidencia a qualidade dos profissionais brasileiros, mas também adiciona um tempero extra aos confrontos, com um profundo conhecimento tático e estratégico das equipes.

A presença desses treinadores em seleções adversárias reforça o histórico vencedor do vôlei brasileiro e, segundo especialistas, mostra a relevância de iniciativas como o programa "Volleyball Empowerment" da FIVB. Essa é uma oportunidade única para observar a influência de uma filosofia de jogo que se tornou referência mundial.

A Influência Brasileira no Vôlei Mundial se Expande

A influência dos técnicos brasileiros transcende as fronteiras sul-americanas. Luizomar de Moura, por exemplo, divide seu tempo entre o clube de Osasco e a seleção de Cuba desde julho de 2025. Sob seu comando, Cuba conquistou o bronze no Campeonato Continental da NORCECA em agosto deste ano, um pódio que a equipe não alcançava há 15 anos. Essa competição garantiu ao Canadá uma vaga nas Olimpíadas de Los Angeles 2028 no vôlei feminino.

Outros nomes de destaque internacional incluem Marcos Kwiek, que treina a República Dominicana desde 2008, elevando a equipe à 14ª posição no ranking da FIVB. Já Paulo de Tarso comanda Camarões, atualmente na 41ª colocação, há pouco mais de um ano, demonstrando a capilaridade da expertise brasileira em diferentes continentes.

Para a ex-jogadora e comentarista Paula Pequeno, "O vôlei no Brasil é muito vencedor. Tem uma escola fantástica de ótimos atletas e treinadores. Os próprios resultados do passado mostram que a gente realmente tem profissionais qualificados." Ela complementa que "o importante é que eles continuem dando andamento nessa qualidade, podendo levar alguns pontos da nossa filosofia."

O comentarista Marco Freitas reforça essa visão, apontando que o impressionante histórico olímpico do Brasil – com 12 medalhas, sendo cinco de ouro – gera uma curiosidade mundial sobre a metodologia e processos de planejamento do vôlei nacional. A Federação Internacional de Vôlei (FIVB), através do projeto "Volleyball Empowerment", auxilia confederações ao redor do mundo a aprimorar o ecossistema local da modalidade, como no caso da Colômbia, por exemplo.

Confrontos Emocionantes com Técnicos Brasileiros no Maracanãzinho

A primeira prova desse fenômeno no Pré-Olímpico foi o confronto entre Brasil e Peru na quarta-feira (9). O técnico Antônio Rizola, à frente da seleção peruana, enfrentou a equipe verde-amarela em um Maracanãzinho vibrante. Apesar do esforço, o Peru, 42º no ranking mundial, sofreu sua segunda derrota, perdendo por 3 sets a 0 para o Brasil, após já ter caído para a Argentina.

Rizola, que comandou a Colômbia de 2017 até assumir o Peru em 2024, tem um currículo invejável no vôlei brasileiro, tendo passado por diversos setores da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Ele se destacou nas categorias de base, onde conquistou sete títulos intercontinentais, incluindo um pentacampeonato mundial juvenil, revelando nomes como Sheilla, Paula Pequeno, Thaisa e Fernanda Garay.

Após a partida, o técnico do Peru comentou a experiência: "Missão difícil, mas prazerosa. Dizia às jogadoras no início do jogo: 'É um privilégio jogar neste templo do voleibol, com o Brasil completo, uma equipe campeã olímpica'. Isso para elas é uma experiência que vão levar para o resto da vida." Ele ainda enfatizou o objetivo de dar rodagem às atletas, colocando todas as 14 jogadoras em quadra.

Mesmo reconhecendo o valor da globalização de talentos, Zé Roberto Guimarães expressou preocupação com o conhecimento de seus compatriotas: "Sempre fico preocupado porque eles conhecem muito nosso time. (...) Ele (Rizola) está passando isso hoje no Peru, mas foi um dos responsáveis pelo crescimento da Colômbia."

Guilherme Schmitz e o Desafio de Enfrentar o País de Origem

Nesta quinta-feira (10), será a vez de Guilherme Schmitz, técnico da Colômbia, enfrentar o Brasil. O duelo no Maracanãzinho terá um sabor especial para Schmitz, nascido e formado no Rio de Janeiro. Em julho, as equipes já haviam se encontrado na final da Copa Sul-Americana, quando o elenco B do Brasil venceu por 3 sets a 0.

Schmitz, que atuou por mais de 20 anos no Fluminense antes de assumir a seleção colombiana em maio de 2025, expressou sua emoção ao ge em fevereiro deste ano: "Jogar no Rio de Janeiro, minha casa, onde nasci e sou formado... Jogar contra o Brasil vai ser um desafio interessante."

Ele relembrou o encontro anterior: "Foi um momento emocionante para mim. Primeira vez que joguei contra o Brasil, contra o Wagão, que é um grande amigo meu. Escutar o hino nacional do outro lado da quadra foi diferente", referindo-se ao auxiliar de Zé Roberto, com quem trabalhou nas seleções de base entre 2015 e 2025.

Para o técnico colombiano, a demanda interna de profissionais qualificados no Brasil é tão alta que o mercado não consegue absorver a todos, o que naturalmente leva à busca de oportunidades no exterior. "José Roberto... Nem preciso dizer o quanto ele é referência para mim, mas ali é Brasil contra Colômbia. No final, a gente se abraça e está tudo certo", afirmou Schmitz, destacando o respeito mútuo.

Perguntas Frequentes

Quem são os técnicos brasileiros que comandam outras seleções no Pré-Olímpico de Vôlei?

No Campeonato Sul-Americano de vôlei feminino, que serve como Pré-Olímpico, dois técnicos brasileiros lideram seleções adversárias do Brasil: Antônio Rizola comanda o Peru, e Guilherme Schmitz está à frente da Colômbia.

Qual o impacto da presença de técnicos brasileiros em seleções estrangeiras?

Essa presença reforça a excelência da "escola" de vôlei brasileira, que se tornou referência mundial. Permite a troca de conhecimentos e métodos, elevando o nível da modalidade em outros países e adicionando um elemento de familiaridade tática nos confrontos diretos contra o Brasil.

Quantas medalhas olímpicas o Brasil possui no vôlei?

O Brasil possui um histórico impressionante no vôlei olímpico, acumulando 12 medalhas. Dessas, cinco são de ouro (três no masculino e duas no feminino), quatro de prata (três no masculino e uma no feminino) e três de bronze (feminino).

O que é o programa Volleyball Empowerment da FIVB?

O "Volleyball Empowerment" é uma iniciativa da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) focada em auxiliar o desenvolvimento profissional de equipes ao redor do mundo. O programa ajuda confederações a aprimorar o ecossistema local da modalidade, contribuindo para a globalização do esporte.