Presidente argentino defende volta do país ao calendário da Fórmula 1, destaca presença de Franco Colapinto e aposta na reforma do Autódromo Oscar y Juan Gálvez para recuperar um Grande Prêmio após quase três décadas.

Resumo: O presidente da Argentina, Javier Milei, defendeu publicamente o retorno da Fórmula 1 ao país durante o Congresso Americano da FIA, em Buenos Aires. A Argentina não recebe uma corrida da categoria desde 1998, mas trabalha na modernização do Autódromo Oscar y Juan Gálvez. O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, posteriormente demonstrou apoio à possibilidade, embora tenha alertado para as exigências financeiras, estruturais e comerciais envolvidas no projeto.

Milei pede volta da Fórmula 1 à Argentina

A Argentina quer voltar ao calendário da Fórmula 1 depois de quase três décadas longe da principal categoria do automobilismo mundial.

O presidente Javier Milei aproveitou a abertura do Congresso Americano da Federação Internacional do Automóvel (FIA), realizado em Buenos Aires em 31 de agosto, para defender diretamente a candidatura do país.

Ao lado do presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, Milei afirmou que a Argentina voltou a reunir condições econômicas, institucionais e de infraestrutura para receber grandes competições internacionais do automobilismo.

O mandatário destacou a tradição argentina no esporte e deixou claro um dos símbolos do projeto: realizar uma corrida da Fórmula 1 no país com Franco Colapinto no grid.

“Queremos ver Colapinto no país”, afirmou Milei durante o evento.

Franco Colapinto aumenta expectativa por GP da Argentina

A presença de Franco Colapinto na Fórmula 1 é um dos principais fatores por trás da nova mobilização argentina.

O piloto de 23 anos representa o país na categoria e possui contrato com a Alpine para 2027, aumentando o interesse dos torcedores argentinos pela competição. A própria matéria da Gazeta Esportiva destacou Colapinto como elemento central do discurso de Milei.

Para o governo argentino, ter um representante local no grid poderia fortalecer comercialmente um eventual Grande Prêmio.

A Fórmula 1 já utiliza esse tipo de conexão em diferentes mercados: pilotos locais ou regionais costumam aumentar o interesse do público, a venda de ingressos e a exposição comercial de uma corrida.

No caso da Argentina, a relação com o automobilismo é ainda mais profunda.

O país possui uma longa tradição na categoria, marcada principalmente pela trajetória de Juan Manuel Fangio, pentacampeão mundial e um dos maiores pilotos da história.

FIA vê com bons olhos possível retorno da Argentina

Quando Milei fez o pedido publicamente, ainda não havia uma manifestação concreta da FIA sobre a candidatura argentina.

O cenário mudou pouco depois.

Mohammed Ben Sulayem afirmou que vê de maneira positiva uma possível volta da Argentina tanto à Fórmula 1 quanto ao Campeonato Mundial de Rali (WRC).

O presidente da FIA destacou a história argentina no automobilismo, sua base de fãs e nomes como Fangio, Carlos Reutemann e, atualmente, Franco Colapinto.

Isso não significa, porém, que o retorno esteja confirmado.

A inclusão de uma corrida no calendário depende de diversas etapas.

Segundo Ben Sulayem, serão necessários investimentos, infraestrutura adequada e espaço em um calendário da Fórmula 1 que atualmente possui limite de 24 Grandes Prêmios por temporada.

Além disso, diferentes países disputam vagas para receber futuras provas da categoria.

Autódromo de Buenos Aires passa por grande reforma

Um dos pontos centrais do projeto argentino é a modernização do Autódromo Oscar y Juan Gálvez, em Buenos Aires.

O circuito recebeu 20 Grandes Prêmios de Fórmula 1 entre 1953 e 1998 e passa atualmente por uma ampla reforma para voltar a atender aos padrões exigidos pelas principais categorias internacionais.

O investimento estimado é de aproximadamente US$ 100 milhões.

O projeto prevê mudanças na pista, nos boxes, nos acessos, nos sistemas de segurança e na estrutura destinada aos espectadores.

A capacidade poderá chegar a cerca de 150 mil pessoas.

Como será a nova pista?

O projeto de modernização prevê configurações diferentes para grandes categorias do automobilismo e motociclismo.

Para uma eventual Fórmula 1, o circuito projetado terá aproximadamente:

  • 4,9 quilômetros de extensão

  • 15 curvas

Também haverá uma configuração de aproximadamente 4,3 quilômetros e 14 curvas voltada para outras competições, incluindo a MotoGP.

O objetivo é conseguir a certificação necessária para receber competições de primeiro nível.

Para sediar a Fórmula 1, o autódromo precisa alcançar a classificação Grau 1 da FIA, padrão máximo exigido para os circuitos utilizados pela categoria.

MotoGP já prepara retorno a Buenos Aires

A modernização do Oscar y Juan Gálvez não está sendo feita apenas pensando na Fórmula 1.

Buenos Aires já está programada para receber novamente a MotoGP em 2027.

A realização da prova funciona como parte importante da estratégia argentina de recolocar o tradicional autódromo no mapa das grandes competições internacionais.

Para a Fórmula 1, isso também pode funcionar como um teste importante da nova estrutura.

Uma corrida internacional permite avaliar pontos como mobilidade, logística, acessos, segurança, capacidade de público, operação dos boxes e funcionamento geral do autódromo.

Argentina não recebe Fórmula 1 desde 1998

O último Grande Prêmio da Argentina de Fórmula 1 aconteceu em 12 de abril de 1998, no Autódromo Oscar y Juan Gálvez.

A corrida foi vencida por Michael Schumacher, da Ferrari.

O alemão largou em segundo lugar e conquistou a vitória depois de 72 voltas. David Coulthard havia conquistado a pole position com a McLaren.

Desde então, a categoria não voltou ao país.

Uma eventual edição futura, portanto, encerraria um intervalo próximo de três décadas.

Argentina tem tradição histórica na Fórmula 1

A relação argentina com a Fórmula 1 começou praticamente junto com os primeiros anos do campeonato mundial.

O país recebeu provas em diferentes períodos, principalmente nas décadas de 1950, 1970 e 1990.

O maior símbolo dessa história é Juan Manuel Fangio.

O argentino conquistou cinco campeonatos mundiais e dominou parte significativa da primeira década da Fórmula 1.

Posteriormente, Carlos Reutemann também se tornou um dos grandes representantes argentinos na categoria.

Essa tradição é frequentemente utilizada pelos defensores do retorno para argumentar que existe uma base esportiva e cultural capaz de sustentar novamente um Grande Prêmio no país.

O que falta para a Argentina voltar à Fórmula 1?

Apesar da manifestação política e do apoio inicial do presidente da FIA, ainda existe um caminho considerável até que um GP da Argentina seja confirmado.

1. Concluir a modernização do autódromo

O primeiro desafio é finalizar as obras no Oscar y Juan Gálvez e garantir que todas as exigências técnicas e de segurança sejam cumpridas.

A obtenção da licença FIA Grau 1 será fundamental.

2. Garantir o investimento necessário

Receber uma corrida de Fórmula 1 exige investimentos que vão muito além da reforma do circuito.

É necessário financiar operação, logística, segurança, estruturas temporárias, promoção e todas as taxas relacionadas à realização do evento.

Ben Sulayem deixou claro que a questão financeira faz parte dos critérios necessários para uma candidatura avançar.

3. Conseguir espaço no calendário

Este talvez seja um dos pontos mais complicados.

A Fórmula 1 trabalha atualmente com um calendário de até 24 etapas, enquanto diferentes mercados demonstram interesse em sediar corridas.

Isso significa que mesmo um circuito pronto e financeiramente viável não possui vaga automática.

A Argentina terá de apresentar uma proposta suficientemente atrativa para competir com outras candidaturas.

América Latina poderia ganhar mais uma corrida

Atualmente, a América Latina possui presença limitada no calendário da Fórmula 1.

As principais provas da região acontecem no Brasil, em São Paulo, e no México, na Cidade do México.

A entrada da Argentina ampliaria a presença da categoria no continente e criaria uma sequência bastante interessante de mercados latino-americanos.

Do ponto de vista comercial, um eventual Grande Prêmio argentino poderia ainda explorar a forte mobilização em torno de Franco Colapinto.

A combinação entre um piloto local, um circuito histórico e uma torcida tradicional é justamente um dos argumentos apresentados pelos defensores do projeto.

Retorno da F1 à Argentina já pode ser considerado provável?

Ainda não.

Existe uma diferença importante entre interesse, candidatura e confirmação oficial.

A Argentina hoje possui sinais mais concretos do que em tentativas anteriores: há reforma do autódromo, apoio político, interesse da FIA e um piloto argentino no grid.

Mas nenhum contrato para a realização de um Grande Prêmio foi anunciado até o momento.

A manifestação de Mohammed Ben Sulayem representa um avanço político e institucional, porém o próprio dirigente ressaltou as exigências que ainda precisam ser cumpridas.

Portanto, o cenário é de negociação e preparação, não de retorno confirmado.

Milei aposta na Fórmula 1 para recolocar Argentina no automobilismo mundial

O movimento liderado por Javier Milei mostra que a Argentina pretende utilizar o automobilismo internacional como parte de uma estratégia maior para recuperar protagonismo esportivo.

Durante o Congresso da FIA, o presidente não falou apenas da Fórmula 1.

Ele também defendeu o retorno do país ao calendário do Mundial de Rali, competição que não visita a Argentina desde 2019.

A modernização do autódromo de Buenos Aires, a volta da MotoGP e a candidatura à Fórmula 1 fazem parte desse mesmo movimento.

No caso da F1, existe ainda um componente capaz de aumentar significativamente a mobilização popular: Franco Colapinto.

Depois de 28 anos sem uma corrida da principal categoria do automobilismo, a possibilidade de um argentino competir diante de sua própria torcida oferece ao projeto uma narrativa esportiva poderosa.

O interesse existe.

A FIA abriu as portas para a conversa.

O circuito está sendo preparado.

Agora, o desafio da Argentina será transformar essa combinação em um acordo capaz de efetivamente colocar o Grande Prêmio da Argentina de volta ao calendário da Fórmula 1.